28 novembro 2013

Pela manhã

Tenho na ponta da caneta o desejo de escrever sobre aquilo que não foi escrito. Em voltas doidivanas rodopiando como bailarina nos primeiros passos nasce a ideia da pureza e da cor âmbar. Penso, reflito, investigo, desdenho outra vez entre uma decepção e outra falta de criatividade. Depois, passado a tormenta criativa, a cafeína desce na garganta gritando: Acorde! Acorde! É Kafka me transformando em barata, é o processo vindo em minha porta por aquilo que não fiz, são os cem anos de solidão de uma vida que me parece, ainda, estranha. Deito na cama, apago a luz, durmo. Pela manhã o rádio bombeia tragédias, ideias, viagens, a mentira da felicidade. A vida continua, sem falhar.

Um comentário:

Ulisses Borges disse...

Gosto muito dos teus textos, Elvis. É isso.