08 março 2011

Mágoa

Aos poucos as rosas se transformaram em tragédias Shakespearianas

O tempo passou a ser um contínuo caminho incerto e sem ruas

Seu nome era Pequena, encostava sua cabeça junto ao meu peito

Você me chamava de lua, o motivo da minha existência era sua segurança

O que sou agora se não uma lembrança amarga?

Existiu no meio do nosso caminho uma flor, mas não era o ipê e sua força amarela

Era uma flor magoada, as pétalas não cingiam as sépalas e os receptáculos florais

No lugar das pétalas, espinhos pululavam sequiosos do fel que a mágoa escorre

Os seus espinhos cortaram nossa existência, transpassaram nossos sonhos, nossos amigos, nossa família, a mágoa alheia e a nossa mágoa.

E tudo que era belo na noite; num segundo apagou até mesmo as estrelas do céu,

Mas não falo daquelas que preenchem o Cinturão de Órion, nem daquelas que desenham o Pássaro Grou e que dão asas ao Peixe Voador, falo das que carregam o meu e o seu nome.

4 comentários:

Ulisses Borges disse...

Terça-feira de cinzas antecedeu a quarta na mesma cor. Qualquer dia cinza e sem flores amarelas pode render uma bela prosa.

binha disse...

...

Maria Marluce disse...

Um belo escrito nos encanta no pós carnaval.

Jacqueline disse...

Nossa que lindo! As estrelas qu carregam o teu e o meu nome, é a minha parte favorita. Parabéns! Bjs